Na metade deste mês de setembro, a Polícia Militar deflagrou a “Operação Kadron”, focando no combate a descargas adulteradas, veículos roubados e irregularidades. Pouco depois, foi a vez da PRF realizar a “Operação Duas Rodas”, fiscalizando centenas de condutores e retirando dezenas de veículos irregulares das ruas. As duas ações cumpriram seu papel e esquentaram os debates nos grupos de conversa da cidade: afinal, o que virou o trânsito de Santa Maria do Pará?
Quem vive aqui conhece a rotina. As leis de trânsito parecem existir apenas no papel. O cotidiano produz cenas que vão do pitoresco — como a criatividade de quem monta um veículo próprio com motor adaptado e chassi de madeira — ao perigo inadmissível. Crianças de 12 ou 13 anos pilotando motos em alta velocidade, manobras arriscadas sobre quebra-molas, excesso de passageiros sem capacete e o desrespeito aberto à faixa de pedestres tornaram-se banais.
Criou-se uma cultura invertida, onde o errado tenta ditar a regra e o correto parece exceção. Quando a PM ou a PRF estão nas ruas, o clima muda e muitos passam a andar pisando em ovos. Mas basta as viaturas dobrarem a esquina para que os velhos abusos voltem a colocar pedestres, comerciantes e famílias em risco constante.
A questão não se resume apenas a aplicar multas ou apreender veículos. Trata-se de planejar a mobilidade urbana da nossa cidade. A própria intervenção nos canteiros da Avenida Santa Maria, que criou recuos para estacionamento, já foi motivo de confusão e acidentes para condutores desatentos — provando que infraestrutura sem sinalização clara e sem orientação não resolve o problema sozinha.
Fiscalização ostensiva é necessária, mas precisa vir acompanhada de campanhas contínuas de conscientização, educação nas escolas e reordenamento viário pelo poder público. O trânsito de uma cidade reflete o respeito que seus cidadãos têm uns pelos outros. E debater de forma franca o que acontece nas nossas esquinas — sem rodeios e com foco no bem comum — é o compromisso fundamental deste espaço a partir de hoje.