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PONTO DE VISTA

Da Operação Kadron à PRF: quando o errado tenta ditar as regras no nosso trânsito

Operações recentes da PM e da PRF expõem a urgência de discutir mobilidade urbana, imprudência nas ruas e educação viária no município.

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30/09/2026 19:29 3 min de leitura Atualizado em 30/09/2026 19:30
Resumo · 4 pontos principais
  • Operações Kadron (PM) e Duas Rodas (PRF) intensificaram apreensões e reacenderam o debate sobre o trânsito local.
  • Infrações recorrentes, veículos irregulares e menores ao volante revelam problemas que vão além da fiscalização.
  • Mudanças viárias e recuos de canteiros mostram que intervenções urbanas exigem sinalização e orientação clara.
  • Coluna defende que segurança duradoura depende de conscientização contínua e planeamento do poder público.
Da Operação Kadron à PRF: quando o errado tenta ditar as regras no nosso trânsito

Na metade deste mês de setembro, a Polícia Militar deflagrou a “Operação Kadron”, focando no combate a descargas adulteradas, veículos roubados e irregularidades. Pouco depois, foi a vez da PRF realizar a “Operação Duas Rodas”, fiscalizando centenas de condutores e retirando dezenas de veículos irregulares das ruas. As duas ações cumpriram seu papel e esquentaram os debates nos grupos de conversa da cidade: afinal, o que virou o trânsito de Santa Maria do Pará?

Quem vive aqui conhece a rotina. As leis de trânsito parecem existir apenas no papel. O cotidiano produz cenas que vão do pitoresco — como a criatividade de quem monta um veículo próprio com motor adaptado e chassi de madeira — ao perigo inadmissível. Crianças de 12 ou 13 anos pilotando motos em alta velocidade, manobras arriscadas sobre quebra-molas, excesso de passageiros sem capacete e o desrespeito aberto à faixa de pedestres tornaram-se banais.

Criou-se uma cultura invertida, onde o errado tenta ditar a regra e o correto parece exceção. Quando a PM ou a PRF estão nas ruas, o clima muda e muitos passam a andar pisando em ovos. Mas basta as viaturas dobrarem a esquina para que os velhos abusos voltem a colocar pedestres, comerciantes e famílias em risco constante.

A questão não se resume apenas a aplicar multas ou apreender veículos. Trata-se de planejar a mobilidade urbana da nossa cidade. A própria intervenção nos canteiros da Avenida Santa Maria, que criou recuos para estacionamento, já foi motivo de confusão e acidentes para condutores desatentos — provando que infraestrutura sem sinalização clara e sem orientação não resolve o problema sozinha.

Fiscalização ostensiva é necessária, mas precisa vir acompanhada de campanhas contínuas de conscientização, educação nas escolas e reordenamento viário pelo poder público. O trânsito de uma cidade reflete o respeito que seus cidadãos têm uns pelos outros. E debater de forma franca o que acontece nas nossas esquinas — sem rodeios e com foco no bem comum — é o compromisso fundamental deste espaço a partir de hoje.

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