A economia de Santa Maria do Pará é comumente associada ao intenso fluxo de carretas no entroncamento entre a BR-316 e a BR-010, aos postos de combustíveis e à produção rural voltada ao abastecimento regional. No entanto, registros oficiais do comércio exterior brasileiro revelam um cenário diferente e curioso sobre o que o município envia para fora do país.
De acordo com levantamento realizado pelo Correio Santamariense na base de dados oficial do sistema Comex Stat, mantido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a pauta de exportações diretas de Santa Maria do Pará tem sido liderada nos últimos anos por instrumentos musicais.
Perfil específico das remessas
Ao contrário de polos vizinhos que movimentam milhões com minérios, carne bovina ou dendê, os volumes de comércio exterior registrados sob o cadastro municipal de Santa Maria são de pequeno porte e apresentam um perfil bastante específico.
Os instrumentos musicais elétricos, que englobam equipamentos cujo som é produzido ou amplificado eletricamente, responderam por US$ 3.750 em 2025, US$ 2.239 em 2024, US$ 8.615 em 2023 e US$ 1.627 em 2022. Já a categoria de instrumentos de corda, que abrange violões e guitarras, somou US$ 2.621 em 2025 e US$ 5.007 em 2022.
O setor madeireiro, representado pela madeira em bruto, figurou na lista pela última vez em 2020, quando registrou o envio de US$ 19.663. Desde então, não houve novas remessas internacionais registradas pelo município sob essa classificação.
Balanço e vocação interna
Somadas as remessas, o total exportado diretamente por empresas ou cadastros sediados em Santa Maria do Pará fechou 2025 em US$ 6.371 FOB, o que equivale aproximadamente a valores entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. Em 2023, o pico recente chegou a US$ 8.615.
A predominância de instrumentos musicais indica operações pontuais, como envios feitos por luthiers, lojistas ou remessas técnicas. O dado evidencia ainda uma característica marcante da economia local: a produção agropecuária de Santa Maria do Pará não depende de embarques diretos aos portos para o exterior.
A riqueza gerada pela mandiocultura, pecuária e hortifrutigranjeiros locais é absorvida quase que integralmente pelo mercado interno paraense e de estados vizinhos, impulsionada pela posição geográfica privilegiada do município como porta de entrada e saída da Região Metropolitana de Belém.












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